Inquietações Pedagógicas

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso…"  Jorge de Sena in Metamorfoses

2.3.05
 
Chumbar não é preciso
É frequente ouvirmos alguns pais receberem a notícia do insucesso escolar dos filhos como se de uma fatalidade se tratasse. A sua reacção é por vezes traduzida na expressão “Não dá para os estudos”. Muitos desses pais abandonaram precocemente a escola, na sequência de repetencias acumuladas.
Mas serão as repetências uma fatalidade, um percurso inevitável para alguns?
Repetir um ano constitui um meio pedagogicamente válido para que os alunos que encontram dificuldades aprendam mais ou, trata-se pelo contrário, de um processo responsável por muitos abandonos da escola?
Há países onde não existem repetências
Um número significativo de países europeus, todos com melhores resultados do que Portugal nos testes internacionais, não têm repetências. Estão neste caso, por exemplo, a Irlanda, o Reino Unido, a Dinamarca, a Suécia, a Finlândia, a Islândia, a Noruega. Nestes países a escola é responsável por garantir os meios de apoio necessários para que todos os alunos adquiram as competências consideradas essenciais.
Na Dinamarca, por exemplo, o aluno faz o seu percurso com o mesmo grupo-
-turma do 1º ao 9º ano. O grupo é acompanhado por um professor-tutor, responsável por organizar tanto o trabalho escolar como os apoios necessários, designadamente da parte de professores especializados e psicólogos.
O combate ao insucesso escolar
Há estudos recentes que demonstram a ineficácia das retenções como meio para aprender mais. Nesses estudos verificou-se a tendência para os alunos com percursos em que se acumulam as repetências virem a ter piores resultados escolares no seu futuro. Esta via conduz com frequência a uma desresponsabilização da escola, ao isolamento do aluno e à interiorização de sentimentos de insegurança.
Em Portugal, os níveis de insucesso e abandono escolar são inaceitáveis.
Para quando um verdadeiro debate sobre estratégias eficazes para combater o insucesso escolar e para que os alunos aprenderem?
É urgente a construção de uma escola responsável pelas aprendizagens dos seus alunos, capaz de melhorar os resultados de cada um.
Não se pode continuar a pensar que há alunos que “não dão para os estudos” e que terão de repetir os anos até terem resultados aceitáveis. É uma atitude que não serve nem as pessoas, nem o país.
Todos dão para os estudos, todas as pessoas podem aprender, o que é preciso é uma boa organização do trabalho escolar e dos apoios necessários.
Ana Maria Bettencourt
Comentários inquietacoes_pedagogicas@hotmail.com

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