Inquietações Pedagógicas

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso…"  Jorge de Sena in Metamorfoses

17.7.05
 

(Não sei como me dirigir ou a quem me dirigir. Aqui fica a fórmula consagrada:)

Caros colegas,

Sou professor de Matemática na Escola EB 2, 3 Luís de Sttau Monteiro, em Loures, e colaboro num blog colectivo
(http://blogdosindocentes.blogspot.com/), no qual postei o seguinte que gostaria de partilhar convosco:


Quarta-feira, Julho 13, 2005

Exame de Matemática: 2 episódios
1º:Pedro: Ó setor, tive 3, que nota preciso de ter no exame para não chumbar?Sérgio: Setor, não vale a pena, já lhe expliquei mais de 100 vezes que ele pode ter uma nota qualquer que passa sempre, mas ele não acredita!!...O Sérgio teve a melhor nota da escola no exame de Matemática e, como ele sabia muito bem, não precisava de se ter esforçado.2º:Quando acabaram as aulas do 9º, combinei com os alunos e continuei a vir às aulas para tirar dúvidas e/ou treiná-los para o exame. Disse-lhes que, como não eram aulas convencionais, podiam trazer os amigos que quisessem.De turmas de 26, nunca me apareceram mais do que 10 alunos. E uma vez não me apareceu ninguém.Para já, não tiro conclusões. Deixo-as para vocês.

Domingo, Julho 17, 2005

Exame de Matemática: 2 episódios (II)
Volto a este meu post de 13 de Julho.O que terá levado o Sérgio que tinha 5 a tirar 5 no exame, ou a I. e a N. (que tiveram, respectivamente 5-3 e 3-1), ou os meus outros 28 alunos de 47 que baixaram de um nível? O professor, a escola, a matéria ensinada, ou o exame eram os mesmos...Quanto mim, esta é a questão crucial de todo o ensino-aprendizagem!Se soubermos a resposta talvez possamos mudar alguma coisa.E não me venham com a história da simpatia pessoal. Escolhi estes 3 exemplos não por acaso: o Sérgio nunca teve nenhuma relação significativa comigo, a I. não gostava lá muito de mim (não se coibiu de me acusar à frente da mãe que eu não os tinha preparado para o exame, numa tentativa clara de fugir às suas responsabilidades), enquanto a N., que eu conhecia há anos do meu trabalho voluntário, simpatiza muito comigo.Características pessoais de inteligência? Os 3 são muito inteligentes.Antecedentes familiares? Poupem-me!Diferenças de requisitos prévios, seja lá o que isso queira dizer? Tive estes 3 alunos pela 1ª vez este ano e tanto o Sérgio como a I. são alunos de 5.Então?Eu ponho uma hipótese: motivação pessoal para a excelência, mais conhecida por BRIO, profissional e pessoal!E como se consegue isto em muitos mais alunos?Ponho outra hipótese: exemplo, mas exemplo vindo de todos os lados, não só dos professores.Exemplo na exigência profissional consigo próprios, exemplo no cumprimento de regras e leis, exemplo na satisfação pessoal por um trabalho bem feito,...Ouviram, classe política?Ouviram, classe empresarial?Ouviram, automobilistas que são pais destes alunos?Ouviram? TODOS!Nota de rodapé: a percentagem de alunos meus que passaram no exame foi superior à média nacional (29,3%): 36,2%. Não é um resultado de que me sinta orgulhoso.




Vale de alguma coisa isto que escrevi para a descoberta e proposta de caminhos para o sucesso dos nossos alunos? Não sei.

Continuem com o vosso blog e obrigado pela atenção.

Rui

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