Inquietações Pedagógicas

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso…"  Jorge de Sena in Metamorfoses

20.3.06
 
Quando um sindicato procura as raízes de um problema…
Comecei a ler com grande apreensão, a partir de um título que a isso conduzia, a notícia da agressão a uma professora por parte da mãe de um aluno. (cf. Público, pg.22) Passou-se numa escola no norte do país. Mas a jornalista adianta mais dois casos de agressões a professores, passados durante a semana, da responsabilidade de pessoas exteriores à escola. Claro que fiquei chocada e inquieta. Mas a inquietação virou espanto. A mesma notícia dá conta que o Sindicato de Professores da Região Centro considera, em comunicado, que a causa destes acontecimentos está na desvalorização e degradação da imagem e do papel dos professores na escola e na sociedade, levada a cabo pelo Governo. Estas análises são mesmo nefastas. Assim, não se ajuda os professores e a Escola. Por favor, entendam!

Maria da Conceição Moita

Comments:
Dizer taxativamente que a causa directa das agressões a professores ultimamente ocorridas é a política educativa deste governo, não é correcto.
Mas será difícil de encontrar uma relação entre uma imagem mais negativa dos professores, que muitas medidas e discursos do actual governo tem promovido (os professores como um grupo profissional absentista, malandro, incompetente, irresponsável, cheio de privilégios) e a forma como a "sociedade" reage discursivamente e não só, perante os professores?
 
Bom, penso ser dealguma forma uma pessoa que pode dizer que efectivamente o Governo tem denegrido a imagem dos docentes, ao passar a ideia de que o que está mal na Educação é por culpa dos profesores. Aceitando as premissas adequadas, de quem é a culpa por este país estar como está? ´Não é dos políticos? Quem lhes pode inflingir as medidas de correcção?
Sendo um apoiante das propostas do governop de uma coisa eu sei nunca ter nelas lido: falta de diálogo, arrogância e de certa forma, autoritarismo.
 
Caro Delfim Peixoto
penso não ser muito difícil encontrar exemplos de falta de diálogo, arrogância e autoritarismo nas medidas e atitudes deste governo na área da Educação, para com os professores.
Dou-lhe alguns exemplos:
-Medidas, tais como os despachos que fizeram tábua rasa do ECD, avançadas em Agosto, sem negociação com os professores e com as suas estruturas representativas;
-comunicação de medidas na e para a comunicação social sem auscultar sequer...
-congelamento de carreiras, de tempo de serviço e o aumento do tempo de serviço para aceder à aposentação sem nenhuma negociação;
-adopção de ameaças ou insinuações perante os professores que exerceram o direito à greve, tais como: processos disciplinares; acusações de absentismo; tentativa de descontar um dia de trabalho a quem faltou no dia de greve a 45 minutos; anúncio em dia de greve que, para o ano as "substituições" se estendem ao secundário.
 
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