Inquietações Pedagógicas

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso…"  Jorge de Sena in Metamorfoses

12.6.06
 
Apresentação do livro "Écrans em Mudança"
ABRANTES, J.C. (coord.), Écrans em Mudança – Dos Jovens na Internet ao Provedor da Televisão,Lxª, Livros Horizonte, Col. Media e Jornalismo, 2006.

Apesar de as investigações relatadas nos dois primeiros capítulos deste livro (de Jacques Piette, coordenador da investigação sobre “os jovens e a internet”, quer no Canadá quer a nível internacional, e de J.C. Abrantes, coordenador em Portugal) terem já meia dúzia de anos e incidirem sobre um meio em expansão aceleradíssima - a Internet – este é um livro extremamente actual que vai ao encontro de questões que estão hoje a ser intensamente debatidas na sociedade portuguesa :

Como explicar e ultrapassar as dificuldades e deficiências da escola portuguesa ? Será a escola portuguesa uma escola “transbordante”, com excesso de tarefas e de missões e que, por isso, acaba por não cumprir a sua função essencial de transmissão de conhecimentos ? Ou, pelo contrário, será uma escola “minimalista”, demasiado centrada nos saberes académicos e que esquece as aprendizagens fundamentais da vida , o aprender a ser, a criar e a viver com os outros ?

Ora os resultados da investigação portuguesa sobre o uso das NTIC e da internet revelam que a escola cumpre melhor o seu papel educativo no que respeita ao acesso às NTIC do que outras instituições com um papel educativo como por exemplo as famílias. Mas com limitações : acesso sim, mas não regular; pouca utilização como recurso pedagógico, utilização sobretudo em espaços não lectivos (sala de informática, centro de recursos, etc.) com pouco enquadramento docente e portanto incluindo “chats” e jogos – o que no Canadá seria impossível (situação que é aliás criticada pelos investigadores canadianos que a consideram “uma excessiva domesticação pedagógica da internet”).

Em Portugal poderá existir, pelo contrário, uma excessiva liberdade no uso da internet ?
O que é certo é que mais uma vez se fala nos perigos deste novo meio de comunicação e mais uma vez se apela à Educação para os Media que se atribui, claro, à escola ! O capítulo II incide justamente sobre a “educação dos públicos”, abrindo com um historial de Jacques Gonnet que regista as várias tendências existentes da "Educação para os Media" para defender uma abordagem pela produção a levar a cabo pela escola. Ora esta “educação mediática” poderia ser realizada pelos media, especialmente pela tv se esta assumisse a sua função educativa, coisa que de modo algum acontece, como lamenta Marçal Grilo no capítulo “Televisão : educação ou deseducação?”

Geneviève Guicheney, provedora de programas da France Télévision, relata-nos a sua experiência no Capítulo III deste livro. Fica-nos a reflexão :a criação recente em Portugal da figura do provedor do telespectador na RTP poderá ser uma porta de entrada para a tv começar a fazer educação para os media ?


Maria Emília Brederode Santos

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