Inquietações Pedagógicas

"Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso…"  Jorge de Sena in Metamorfoses

4.2.09
 

Conferência de Philippe Meirieu
Universidade de Lyon

Mutacões Sociais, Pedagogia e Trabalho dos Professores

Comentadores :
Maria Emília Brederode Santos
Sérgio Niza

17 Fevereiro, 18h
Anfiteatro da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa

Entrada livre, tradução simultânea

http://uidce.fpce.ul.pt/ Alameda da Universidade, 1649-013Lisboa +351217943651

Para melhor conhecimento do conferêncista podem ser consultados os sítios:

http://www.meirieu.com/CLASSEAUQUOTIDIEN/classeauquotidien.htm

http://www.meirieu.com/nouveautesblocnotes.htm


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3.2.09
 
Uma Intelectual da Pedagogia
Morreu a Lucinda Atalaia, uma figura de referência na Pedagogia em Portugal.
Criou o "Jardim Infantil Pestalozzi" onde, desde os anos 60 se experimentou alguma da pedagogia activa mais interessante no país.
A Cooperativa CEFEPE(Centro de Formação Educacional Permanente) criada desde os anos 70 foi um reconhecido centro de formação contínua de professores e um espaço de investigação ligada à pedagogia para a infância.
Educadora, pedagoga, mulher de cultura, Lucinda Atalaia foi uma verdadeira intelectual da pedagogia, questionante, crítica, rigorosa, sistemática, exigente.
Nos encontros anuais"Aprender... Aprendendo" realizados na Fundação Gulbenkian, debateram-seideias e valores essenciais para a escola básica do nossos país.
Lucinda Atalaia deixa um vazio difícil de preencher. A Pedagogia em Portugal fica mais pobre. Assim saibamos levar por diante alguns dos seus ideais pedagógicos que passavam, sempre! por um profundo respeito pelas crianças e pelas suas possibilidades múltiplas de aprender a conhecer.

Teresa Vasconcelos

30.1.09
 
Être Arabe
Comecei a ler um livro que me foi dado por uma grande amiga minha, católica, que viveu muitos anos em Paris, e depois, na Síria, com um companheiro Sírio. O livro intitula-se "Être Arabe" e é escrito por Farouk Mardam-Bey eElias Sanbar.
Conta-me essa amiga que foi felicíssima, que adorou viver na Síria, que a família do marido, muçulmana, a tratou sempre como uma deles e que se sentiu em "casa".
O livro refere na sua introdução:
"Être Arabe? (...) Il faut entendre dans ce verbe 'être' une présence au monde, l'expérience quotidienne, individuelle et collective, d'un certain nombre de traits communs et distinctifs (...) il y a plusieurs façons d'être arabe, parce que les manières de vivre sette identité se transforment et se renouvellent, notament en fonction du lieu et de l'époque traversée (...)".
Voltarei ao livro neste blogue. Mas, para já, quero dizer que o nosso grande problema - incluindo pessoas e entidades com enormes responsabilidades no diálogo entre culturas e entre religiões - é a imensa ignorância que temos sobre a cultura árabe, na sua multiplicidade, complexidade, contradições, dilemas... tal como a nossa. Pela minha parte, enquanto educadora e formadora de professores, penso que temos que trabalhar estas questões a fundo, à medida que educamos as novas gerações.
Creio que o nosso GRANDE problema é a profunda ignorância que temos uns dos outros.
Quando nos iremos realmente CONHECER? Não será esse o grande desafio dos novos tempos de globalização que nos falam em "mestiçagem" e em possibilidades e limites da interculturalidade?
Dizia-nos Arjun Appadurai há uns meses na Gulbenkian:
"Quem é o Outro hoje?" O que é ser verdadeiramente "cosmopolita" em temposde globalização?

Teresa Vasconcelos

22.1.09
 

Congresso Internacional FORMAR LEITORES PARA LER O MUNDO

Na Fundação Gulbenkian, dias 22 e 23 de Janeiro , está em curso o Congresso Internacional FORMAR LEITORES PARA LER O MUNDO , com organização da Casa da Leitura. Amantes da Leitura e práticos de vários campos - mediadores de leitura, investigadores, formadores, livreiros, educadores e professores - apresentam estudos e experiências, focando essa temática de diversos ângulos. Literatura para a Infância e Formação de Leitores, Estratégias de Leitura e Compreensão Leitora, Arte Performativa com pais e filhos, Projectos de Promoção da Leitura, A Leitura em Debate .
Descrição, elementos pormenorizados, e documentos interessantes, no endereço:
http://www.casadaleitura.org/

Maria José Martins

21.1.09
 
A cidade de Obama
Enquanto segui a transmissão da tomada de posse de Obama como Presidente dos EUA, o meu pensamento passava sorrateiramente para as minhas referências pessoais.
Trouxe-me memórias de Chicago, a cidade de Obama .
Aí, na Universidade de Northwestern, em 1973/74, convivi com alguns afro-americanos, ainda raros no meio universitário e passando discretamente nos actos de natureza social… Por outro lado, no trabalho académico e também nas escolas que visitei ou acompanhei, eram frequentes as análises e debates sobre políticas educativas e estratégias relativas às então designadas “minorias étnicas”.
E como esse tema então me parecia tão distante, na minha condição de professora portuguesa!...

Hoje, a cidade de Obama já não é (apenas) Chicago.
As “minorias” de então são agora reconhecidas como vastas populações de forte expressão social, cultural e política.
O novo Presidente americano personifica, ele próprio, essa mudança de ponto de vista e demonstra no seu discurso que “a patchwork heritage is a strength, not a weakness “ naquela nação.
Também no nosso país temos um património de misturas, uma História com tempos de construção e de descoberta e outros tempos mais nebulosos e de tempestade.
Seria bom enfrentarmos os desafios actuais com aquele determinado “Yes we can! ”…
Maria José Martins

20.1.09
 

Yosemite -USA
A Bettencourt

 

As Prioridades de Obama na Educação


O plano que Barack Obama, o novo Presidente dos EUA que hoje toma posse, apresentou na sua campanha eleitoral tem o sugestivo título “Educação para o sucesso ao longo da vida”, o que chama logo a atenção para a importância crucial que a educação tem na formação das novas gerações e nas oportunidades que só uma educação de qualidade pode assegurar à participação dos cidadãos na sociedade. Alguns dos tópicos desse plano são os seguintes:

- Investir na educação de infância dos zero aos cinco anos, tornando a educação de infância universal para todas as crianças e aumentando os programas de apoio educativo à primeira infância;
- Reformar o programa No child left behind, melhorando o sistema de avaliação de desempenho dos alunos, de modo a centrá-lo mais nas aprendizagens efectivamente alcançadas;
- Recrutar, preparar, estabilizar e recompensar os professores como elementos essenciais à melhoria da função educativa;
- Fazer da aprendizagem em Ciências e em Matemática uma prioridade nacional;
- Investir nas práticas pedagógicas e nas soluções educativas que funcionam, criando incentivos à sua disseminação;
- Envolver os pais e as comunidades no apoio ao ensino e aprendizagem, através de contratos entre a escola e a família e de uma maior responsabilização dos pais no processo educativo dos seus filhos.

Veremos nos próximos anos como todas estas medidas se irão concretizar. Desde já fica a ideia de que a nova administração americana irá dar grande importância à educação nas primeiras idades e valorizar o papel dos bons professores na melhoria da educação em todo o país.
Vale a pena acompanhar...

Teresa Gaspar

 

S. Francisco
A Bettencourt

 

Hoje sou um bocadinho americana
Não posso deixar de comentar, em antecipação, a tomada de posse de Barak Obama como presidente dos Estados Unidos e no significado que este acontecimento tem para o "ethos" americano. Vivi, trabalhei e estudeiem Nova Iorque entre 1984 e 1987. Trabalhei no pior "guetto" de Nova Iorque, em South Bronx, habitado por população maioritariamente negra e hispânica, num programa de prevenção contra o maltratamento infantil. Assisti a como o próprio sistema de "welfare" mantinha as famílias no guetto (mulheres e seusfilhos, os pais eram figuras frequentemente "ausentes"...) e como eram rarosos que saíam de lá... Ao visitar a escola do 1º ciclo, procurando sensibilizar os professores para as necessidades das famílias que eu acompanhava, a professora - muito jovem e inexperiente, branca, classe média- chorava-me nos braços dizendo não saber como lidar com aquelas crianças. Rapidamente o "sistema" empurrava as crianças negras e hispânicas para a"educação especial", apesar de, simultaneamente sabermos serem os Estados Unidos o berço da chamada "escola inclusiva". Barak Obama é um símbolo de esperança para todo o mundo, mas eu penso sobretudo nas crianças e famílias de South Bronx com quem trabalhei. Olho oálbum de fotografias onde mantenho os seus retratos. Barak Obama, a mulher e as duas filhas são o símbolo de que é possível para tantos outros agarrarem na vida com as duas mãos e pô-la ao serviço de uma causa , a causa do"advancement of the coloured people". Hoje, estou em South Bronx, New York. Hoje sou um bocadinho americana. E tenho saudades.
Teresa Vasconcelos

9.1.09
 
Pedagogia no ensino superior
A Unidade de I&D de Ciências da Educação acaba de editar, em versão portuguesa e inglesa, o número sete da Sísifo – Revista de Ciências da Educação, subordinado ao tema: Pedagogia do Ensino Superior, o qual pode ser consultado no seguinte sítio web: http://sisifo.fpce.ul.pt/
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Dossier temático (Pedagogia do Ensino Superior)
Responsáveis editoriais: Ana Margarida Veiga Simão e Ângela Rodrigues
Helena Marchand
Desenvolvimento intelectual e ético em estudantes do ensino superior. Implicações pedagógicas
Teresa Albuquerque
Do abandono à permanência num curso de ensino superior
Isabel Duarte
Transição e adaptação ao ensino superior artístico
António Duarte
E-learning e abordagens à aprendizagem no ensino superior
Sara Bahia
Criatividade e universidade entrecruzam-se?
Mª Aurora Rodríguez Borrego, Júlia Boronat Mundina e Isabel Freire
Metodologias colaborativas, educação na e para a responsabilidade na formação em enfermagem
A. M. Veiga Simão, Assunção Flores, Sandra Fernandes e Célia Figueira
Tutoria no Ensino Superior. Concepções e práticas
Mª Teresa Estrela, Joana Marques, Francisco Cordeiro Alves e Mariana Feio
Formação ético-dentológica dos professores de ensino superior. Subsídios para um debate
Manuela Esteves
Para a excelência pedagógica do ensino superior
Patrícia Rosado Pinto
Formação pedagógica no ensino superior. O caso dos docentes médicos Sandra Graça Desenvolvimento profissional do professor universitário. Um contributo para a sua análise
Recensões:
Célia Figueira
Recensão de Professional Development. Lifelong Learning Sector: Mentoring, de Susan Wallace e Jonathan Gravells
Conferências:
Alfredo Veiga-Neto
Crise da modernidade e inovações curriculares. Da disciplina para o controle
Outros artigos:
José d’Assunção Barros
As Hipóteses nas Ciências Humanas. Considerações sobre a natureza, funções e usos das hipóteses


26.12.08
 
sobreiro de muitas vidas


No novo ano que entra, marcado por incertezas e dificuldades, lancemos um olhar para este sobreiro de muitas vidas, sempre renovadas.
Maria José Martins

25.12.08
 




10.12.08
 


Declaração Universal dos Direitos Humanos
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60 anos

 

A educação para os Direitos Humanos

A escola deve promover a aprendizagem da Declaração Universal dos Direitos Humanos .
A educação para a defesa dos Direitos Humanos pode ser materializada quer através da realização de projectos (ver post de Pascal Paulus a seguir), quer ao nível dos conteúdos, não só através do conhecimento do texto da Declaração, mas também através da organização de debates sobre temáticas do mundo actual relacionadas com os Direitos Humanos. É essencial que se criem condições para um entendimento sobre o significado da discriminação e da igualdade, no plano social, étnico, sexual, que se entenda o significado da democracia e da sua privação.
Colocar a escola à “escuta” do mundo, como defende J. Gonnet, para o poder compreender e nele intervir, deve ser um objectivo essencial, desenvolvido quer através de uma abordagem interdisciplinar, quer através de estudo, por exemplo, da História, da Geografia, da Economia, da Literatura e das Línguas.
A pedagogia dos Direitos Humanos não deve esquecer o manancial de conhecimentos que pode ser veiculado através dos media. O estudo de casos de violação dos direitos humanos, das lutas de povos pela autodeterminação e a análise de questões jurídicas podem constituir elementos de formação importantes. O estudo de um país, da cultura de um povo e das razões históricas e políticas de um conflito trazido pela televisão podem constituir um espaço de formação muito significativo. O intercâmbio e a pesquisa de informações podem constituir estratégias pertinentes para o desenvolvimento destes trabalhos.
No currículo do ensino básico existe uma área transversal de Formação Cívica onde temas e projectos relacionados com a DUDH podem ser desenvolvidos.
Este aniversário pode constituir um convite para o desenvolvimento de projectos neste domínio.
Ana Maria Bettencourt

 

A Declaração Universal dos Direitos Humanos faz 60 anos
O trabalho aqui referido foi realizado por crianças de 8 e 9 anos em 2001, e tinha como tema "Os direitos das crianças - o que nós já fizemos".
Tudo aconteceu na sequência de um comentário de uma das meninas da turma, no momento dedicado a "contar e mostrar", a propósito de uma reportagem que ela tinha visto acerca da forma como eram tratadas as mulheres afegãs pelos Talibans . Foi decidido contactar mulheres afegãs tendo-se encontrado um grupo de resistência que propunha medidas de apoio concreto. Entre estas havia a possibilidade de contribuir para viabilizar as pequenas escolas clandestinas, para meninas, organizadas por mulheres, nas aldeias. Depois de discutir como angariar fundos (em que as crianças afirmaram pedir esmola não, Pascal!) decidimos fazer um caderno especial que vendemos fazendo reverter a venda para a inciativa das mulheres - sabendo que precisavam do equivalente de 5.000 escudos para custear uma escola durante um mês, conseguimos juntar quase o suficiente para um ano escolar.A versão virtual do caderno especial está em http://web.educom.pt/pr2022/turmadois/index.htm, um comentário mais completo acerca do trabalho em http://web.educom.pt/pr2022/textos/opcaocurric.html
Pascal Paulus

9.12.08
 

Educação para os Direitos Humanos

Coordenação: Direcção de Serviços de Avaliação do Sistema Educativo.Editora: Instituto de Inovação Educacional.ISBN: 972-783-037-4.
Download do livro: Formato PDF (484 KB); Formato Word 6.0/95 (307 KB).

ÍNDICE:
Questões mais frequentes sobre a Educação em matéria de Direitos Humanos.
Porquê a Educação em matéria de Direitos Humanos?
Dez sugestões para a acção.
Questões sobre a Educação em matéria de Direitos Humanos.
Grelha conceptual para a Educação em matéria de Direitos Humanos.
Propostas de Actividades.
Janelas e Espelhos. Observação de Fotografias na Perspectiva dos Direitos Humanos.
Literatura e Direitos Humanos. Questões para Aplicação à Literatura, Materiais Pedagógicos e Media.
História e Direitos Humanos. Análise de Documentos.
Ciência, Tecnologia, Ambiente e Direitos Humanos.
Textos Fundamentais.
Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos Sociais e Culturais.
Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.
Convenção sobre os Direitos da Criança.
Lista bibliográfica de obras no âmbito dos Direitos Humanos.
Endereços da Internet.

4.12.08
 

Ainda a propósito da avaliação dos professores
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O INVERNO DO NOSSO DESCONTENTAMENTO *

Foi John Steinbeck, o mesmo que chamava aos professores “caçadores de pirilampos” porque fazem nascer o conhecimento a partir dos pequenos pontos de luz que ensinam os seus alunos a descobrir, quem titulou desta forma um notável romance sobre um personagem ambíguo que, tendo perdido tudo, recomeça a sua ascensão na vida mas num percurso cheio de ínvias decisões e eticamente discutíveis oportunismos - decisões que a ele mesmo, no interior da consciência, causam angústia e perplexidade.
Peço-lhe de empréstimo o título para sintetizar em alguns pontos os porquês do meu particular descontentamento, nesta tarde em que escrevo, de um inverno marcado por muitos outros descontentamentos que respeito. Descontentamento o meu tão legítimo quanto outros, a que tenho direito e que não quero nem devo silenciar, cidadã que sou e lutei para ser, por um país democrático sem intervalos, profissional que sou e fui do seriíssimo ofício de ensinar, que estudei, estudo e investigo - porque requer saber, esta coisa de ensinar de que tantos gostam de falar no espaço público, quase sempre opinando no plano do puro senso comum. Ofício em que, como tantos outros da comunidade a que me honro de pertencer, também iniciei, acompanhei e supervisionei muitos outros, tal como outros também me ensinaram e ainda ensinam a especificidade e a complexidade de ser professor.
Falo-vos pois dos professores. E daquilo que se tem chamado a sua luta contra um alegadamente persecutório modelo de avaliação do desempenho docente, isto é, do acto de ensinar que nos caracteriza e distingue como profissao na malha complexa do tecido social dos nossos dias. Não falo dos professores de há 50 ou 100 anos, professores esses de outro momento histórico, adequados ao seu tempo, portadores de um saber ao tempo restrito a poucos, e por isso muito valorizado socialmente, que distribuiam ex cathedra, uns muito bem, outros nem tanto, a um grupo razoavelmente restrito, homogéneo e predisposto, por pertença e cultura, a acolher os seus ensinamentos. Nem vos falo, como se tornou moda nos debates entre educadores de bancada, de quanto “no meu tempo” eu e os meus parceiros da minoria mais ou menos brilhante e razoavelmente selecccionada, que chegava aos estudos mais adiantados, e que éramos , no meu 5º ano do então ensino liceal, cerca de 5% do respectivo escalão etário. Apesar de muitos, dentro e fora da escola se obstinarem em não o ver, o mundo mudou, a escola é que nem por isso – por isso mesmo se tornou tão mais difícil e complexo ser professor. Mas também mais valioso e mais indispensável socialmente. Falo da dificuldade de ser professor da escola pública de hoje e de amanhã, a de todos e para todos, a que por isso mesmo se tornou bem mais difícil de fazer funcionar bem, isto é, garantindo que o superior direito de todos a aprender é concretizado, através de uma acção aprofundada, modificada e mais eficaz de todos nós, os professores, os gestores, os formadores, os académicos.

Falo de ser professor hoje, nessa escola e com essas dificuldades que, por razões de experiência profissional longa, muito trabalho de formação e alguma pesquisa reconhecida, conheço bastante bem. Não é fácil ensinar hoje, não. Nem se parece nada com o imaginário falacioso que se projecta naqueles professores que outrora só tinham que ensinar quem estava predisposto para aprender. Mas é ensinar o que faz (ou não ) um professor – só que hoje e no futuro previsível isso significa ensinar, e ensinar bem, a todos os que proclamamos com direito a uma cidadania plena. Tarefa que só pode merecer o nosso respeito e justificar tudo o que se faça para a melhorar, distinguir, apoiar, dignificar e, por tudo isso, garantir-lhe a dignidade de ser avaliada.

Pois nasce-me daqui o pesado descontentamento de que aqui falo:
De ver que os professores reclamam – e fazem-no no uso do direito democrático de se manifestarem , o mesmo que eu uso aqui - contra uma avaliação que pela primeira vez incide sobre o cerne do seu desempenho , isto é – a sua acção de ensinar.
De ouvir afirmar que sempre foram avaliados e aceitaram ser avaliados, que rejeitam este, mas aceitam outro “modelo”, desde que não este. Creio que o dizem de boa fé mas não corresponde à história da avaliação de professores amplamente documentada. Nunca , em nenhum dos regimes de avaliação, houve avaliação de desempenho docente , observado, supervisionado e avaliado. Houve sim regimes que utilizaram outros referentes (formação, tempo de serviço, relatório de actividades, por exemplo). Como também é conhecida por todos a relutância dominante na classe, por razões de cultura sedimentada em muitas décadas, de abrir mão do carácter individual e privado da aula, aquilo que a tipologia de Andy Hargreaves, um conceituado investigador canadiano, descreve como uma cultura profissional baseada no individualismo. Esta característica é uma resultante de múltiplos factores, não um “crime” da classe. Mas bloqueia e tem inviabilizado muita da necessária melhoria, que cada vez mais se sabe requerer mais trabalho colaborativo entre pares, mais supervisão e regulação. Nos resultados do famoso TIMSS também consta que a taxa de trabalho docente supervisionado, relativamente aos alunos de Matemática e Ciências que foram sujeitos do estudo, era de 4% em Portugal para uma média de 60% nos restantes países. A prática da supervisão com avaliação de desempenho da acção de ensinar só existe entre nós no período de estágio ( o que corresponderá aos 4% identificados acima) e ainda assim tolerada numa grande maioria de casos com grande sofrimento, apenas mitigado pela ideia de que depois nunca mais acontecerá. . O problema novo da avaliação de desempenho que agora se inicia é que justamente reverte essa lógica. Daí a violência e a aparente adesão maciça à sua contestação
Pesa-me e algumas vezes me envergonha o tom – o direito de contestar é inalienável, e compreende-se que seja emocional; mas não se aceita que seja insultuoso. Aceito ainda menos a ausência de análise dos pressupostos de avaliação proposta, o silêncio sobre a adequação ou não dos parâmetros , a não produção de sugestões de instrumentos mais eficazes e menos burocráticos, que está expressamente reconhecida no Decreto Regulamentar 2/2008 , desenvolvida nas Recomendações de 8 de Julho do Conselho Científico da Avaliação de Professores, disponível na respectiva página, e agora retomado nas alterações/especificações. O discurso, repetitivo e reduzido à repetição de uma negação que não se argumenta, surpreende-me porque vindo de professores. Permanece inexplicável, tal reacção mesmo quando as alterações recentemente introduzidas seguem por ponto todas as queixas expressas, alterações de que até, nalguns aspectos discordo. Tal postura não visibiliza a capacidade de fazer propostas que os professores certamente têm. Alguns têm-no feito, mas a pressão da massa sobre os divergentes é, historicamente o sabemos, muito pesada. O que ofende a minha crença no direito à opinião livre e ao pensamento divergente.
Descontenta-me ainda que o primeiro esforço sério no sentido da avaliação real a que os professores têm direito, centrada no seu agir científico-pedagógico, tenha sido finalmente lançado, depois de décadas em que não houve coragem de enfrentar a sua necessidade, sem acautelar timings mais graduais, acompanhamento mais directo, alargamento faseado. O que, estou em crer, será introduzido no processo no sentido da sua real apropriação pelas escolas., envolvidas na transformação difícil de uma cultura e um nó de rotinas organizativas que é preciso romper. Mas é preciso que os professores compreendam que são eles que têm o poder de o fazer, assumindo os dispositivos de autonomia e liderança pedagógico-científica que lhes cabem na regulaçao interna dos processos e resultados do seu trabalho e do seu saber.
Nenhum governo, seja ele qual for, seja qual for o sistema , o partido, a equipa, vai daqui em diante poder regressar ao passado nesta matéria , porque o passado já não é viável. Falta que os professores e escolas e a sociedade em geral se dêem conta disso: de que a história da escola pública e da afirmação profissional dos docentes – a atravessar um momento histórico crucial - não se parece com uma luta dos bons e dos maus , de vítimas e perseguidores, nem se situa apenas na oposição entre um qualquer ministério e seus funcionários. É uma questão social central e incontornável , em que são os profissionais que têm de tomar a dianteira, numa sociedade que queira fazer da educação o seu capital maior e a sua aposta no futuro.
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Maria do Céu Roldão
* Artigo publicado no Jornal de Notícias de 2/12/2008

3.12.08
 

Conferência Internacional de Educação
Decorreu em Genève, na semana passada, o maior encontro mundial de educação, promovido pela UNESCO, dedicado ao tema "A educação para a inclusão: a via do futuro" .
Esteve patente em toda a conferência o receio de que a crise financeira mundial possa vir a afectar o investimento na educação. Nas conclusões insiste-se para que seja concedida a mais alta prioridade ao financiamento neste sector.
A educação é hoje em quase todo o mundo encarada como um Direito Humano fundamental e como alavanca da democracia e do desenvolvimento
Na 4ª parte das conclusões-relativa aos professores e alunos- diz-se no ponto 16 que se deve reforçar o papel dos professores através de um esforço para melhorar o seu estatuto e as suas condições de trabalho, e da criação de mecanismos permitindo o recrutamento de candidatos válidos, e a fixação dos professores qualificados abertos às diferentes exigências em matéria de aprendizagem.
No ponto 17 relativo à formação de professores defende-se o desenvolvimento de competências e materiais apropriados para ensinar a grupos de alunos diferentes e para responder às diferentes necessidades de aprendizagem dos alunos ...
Debateu-se muito a necessidade de encarar a diversidade como um desafio.
Durante a Conferência insistiu-se sobre as ideias i) de aliar qualidade na educação e equidade .
ii) de que o acesso generalizado à educação implica uma mudança de paradigma.
Considerou-se que a educação hoje deve ser orientada para as aprendizagens efectivamente realizadas e para os resultados, como estratégias decisivas para a inclusão.
Um número esteve na boca de numerosos participantes: os 75 milhões de crianças que não têm acesso à escola. O objectivo da Educação para Todos 2015, não parece poder vir a ser uma realidade. Prevê-se que nesse ano ainda existam cerca de 25 milhões de crianças fora da escola.
Ana Maria Bettencourt

30.11.08
 

Ainda a Avaliação dos professores

Isto não é sério!

O sindicalista Mário Nogueira, no Programa Prós e Contras, declarou que na 6ª feira apresentaria na reunião com a Ministra da Educação uma proposta porque não pretendia que, este ano, com a suspensão deste modelo se pudesse cair no vazio.
Na minha opinião o Ministério da Educação fora sensível aos problemas que lhe foram transmitidos e tomou decisões que simplificam procedimentos e retiram sobrecargas. Assim, as críticas feitas de boa fé às condições de concretização do modelo obtiveram, no essencial, acolhimento.
Mas o sindicato tinha, ainda, espaço de negociação. E foi isso que prometeu fazer na 6ª feira. Fiquei expectante: o que é que a Fenprof iria propor?
E qual não foi, hoje, o meu espanto! A proposta (?) é a suspensão da avaliação, a demissão da Ministra e o incitamento à greve!
Isto não é sério!
Não me reconheço neste sindicato a que pertenci até há 2 meses. O sindicato de que fui delegada durante muitos anos. O sindicato com quem discuti, em muitas reuniões, soluções alternativas.
É disso mesmo que estou a falar! Soluções alternativas, é isso que compete ao sindicato apresentar.
Lastimo porque acredito que um sindicato sério é indispensável à democracia.
E este já não é sério!

Armandina Soares

23.11.08
 

Ainda a avaliação dos professores
Marcelo Rebelo de Sousa considera que os resultados dos alunos devem ser tidos em consideração na avaliação dos professores.
É sem dúvida uma dimensão importante para que se crie uma maior responsabilidade da escola pelas aprendizagens dos alunos.

Ana Maria Bettencourt

22.11.08
 

A avaliação dos professores e a educação democrática


A democracia dá-nos direito à contestação. Felizmente que assim é!
Mas impõe-nos limites – ou não?
Isto a propósito do movimento gerado à volta da Avaliação dos Professores.
É preciso que se saiba que há alguns professores (são muitos? poucos? será que isto é necessário para que a igualdade de direitos seja assegurada pela democracia?) que não estão contra esta avaliação.
Estes professores não podem continuar a ser intimidados (alguns ameaçados fisicamente) só porque “ousam” ter uma opinião diferente!
E que dizer sobre o incitamento que alguns professores fazem junto dos alunos para que se manifestem veementemente (será que os alunos conhecem o dito Estatuto do Aluno? Será que as Escolas perceberam o sentido das medidas?) atirando ovos à Ministra da Educação?
Será que esta atitude de alguns é conciliável com a missão da Escola que deve promover uma educação democrática em que a livre expressão de pensamento não pode ultrapassar os limites do respeito que deve reger as relações inter-pessoais?
Já nem falo da necessidade do reconhecimento da autoridade e do princípio da hierarquia, que também existem em democracia.
E depois … quando toda a onda passar, não se voltará o feitiço contra o feiticeiro?
E não poderão ser outros os destinatários dos “demónios” que alguns têm posto à solta?
Maria Armandina Soares

 

Semana da Ciência e da Tecnologia
Tem início a 24 de Novembro a Semana da Ciência e da Tecnologia. Instituições científicas, museus, escolas abrem as suas portas. Haverá ainda palestras, workshops, tertúlias, etc

Ciência Viva – Semana da Ciência e Tecnologia
http://www.cienciaviva.pt/semanact/

21.11.08
 

Avaliação dos professores
O direito a aprender.

Quando Judite de Sousa ontem, na Grande Entrevista, dava a entender que os professores deveriam ser avaliados pelas aulas que preparam, pela qualidade das aulas que dão, sem se ter em conta aquilo que os alunos aprendem, estava a ignorar a evolução do mundo nesta matéria.

É que sem desvalorizar os bons professores que marcaram os seus alunos pelas excelentes lições que davam, e o mérito e a necessidade de os professores prepararem bem as aulas que dão, as escolas e os professores terão de ser cada vez mais avaliados pela organização do trabalho de modo a que todos os alunos aprendam. Tendo em conta os pontos de partida, as dificuldades que surgem nas aprendizagens e contando com os recursos necessários.
Conheço e acompanho professores de grande qualidade, cujas práticas têm sido organizadas de modo a que todos os seus alunos aprendam, não abandonem a escola e não fiquem para trás. Nem sempre o conseguem, mas será injusto não valorizar este esforço, essencial ao desenvolvimento do país e à dignidade desses alunos.
Infelizmente o debate educativo está fechado numa concepção de escola que, se não for ultrapassada, nos continuará a cortar do mundo e a deixar para trás.
Ana Maria Bettencourt

 

Conferências
4 Dez 18h Anfiteatro da FPCE-UL – entrada livre

Gaudêncio Frigotto
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
projetos societários e juventude no Brasil

Sonia Maria Rummert
Universidade Federal Fluminense
educação de jovens e adultos trabalhadores: a modernização conservadora

> moderador
Rui Canário
Universidade de Lisboa

 

A (difícil) busca de soluções!

Todos nós, os profissionais da Educação, tivemos vivido momentos particularmente difíceis: o Ministério da Educação que, no meio de uma enorme contestação, persiste em introduzir uma Avaliação de professores que acredita corresponder aos interesses da Escola Pública; os professores (a maioria) em luta contra “esta avaliação” e os outros professores (uma minoria, mas que também existe, e em que me incluo) que não conseguem encontrar todos os “malefícios” de que esta avaliação tem sido acusada e que procuram “sobreviver”, sentindo a estranheza com que são olhados.
Preocupada com o mal-estar instalado, e acreditando que o processo de avaliação não devia ser suspenso (lastimo, mas também tenho o direito de ter esta opinião) procurava perceber onde é que “o sapato” apertava. Mas nunca era o mesmo dedo que doía: a observação de aulas, a falta de avaliadores dos vários grupos disciplinares, a desconfiança em relação a alguns dos avaliadores, os resultados dos alunos, as cotas, as fichas de avaliação…
Onde intervir? O que era possível alterar, mantendo os princípios fundamentais subjacentes à Avaliação que devia (e aí as vozes mantinham-se unânimes) ser efectuada? A diferenciação (de cuja ausência muitos nos temos queixado), a necessária reflexão sobre o nosso trabalho que deverá produzir melhoria dos resultados dos alunos…
Que alterações poderiam, hoje, ser anunciadas que trouxessem a tão desejada paz às nossas escolas?
E tenho de dizer que fiquei surpreendida com as soluções encontradas. Tenho consciência que nem todos os “dedos” passarão a estar ajustados ao sapato que temos de usar. Mas penso (e baseio-me nas “queixas” que fui ouvindo) que podemos iniciar agora uma nova fase, removidos muitos dos obstáculos identificados.
Espero, por isso, que sejamos capazes, agora, de ultrapassar a crise e que, num quadro de progressiva autonomia das escolas e num clima de tranquilidade, possamos prosseguir o trabalho em que todos estamos empenhados.

Maria Armandina Soares

 


Direitos da criança por cumprir


Demolições






fotos:AMB

 


Demolição da "casa" em que viviam-Granja

20.11.08
 

Direitos da Criança

As Nações Unidas aprovaram a 20 de Novembro de 1989 a Convenção sobre os Direitos da Criança .
Infelizmente quantos direitos estão por cumprir!

19.11.08
 

Avaliação dos professores

Desde há anos que muitas vozes vinham afirmando a necessidade de se proceder à avaliação das escolas e dos professores. Desde altos dirigentes políticos de vários quadrantes, a responsáveis na imprensa. Em 2002 a defesa da avaliação dos professores surgiu de várias frentes.

Num Editorial do Público dedicado à avaliação dos professores José Manuel Fernandes afirmava (11/04/02) que "O acto de avaliar alguém de forma justa e objectiva é difícil. Mas sem avaliação, sem uma cultura de avaliação permanente que confronte todos-mas mesmo todos- com os seus deveres e responsabilidades, nenhuma organização pode progredir; nenhum país pode evoluir . Isso é especialmente verdade no sistema de ensino, mas não pode envolver apenas os alunos. É também necessário avaliar os professores e as escolas."....
Nesse mesmo editorial , em que criticava o sistema então existente, JMF defendia que a avaliação fosse feita localmente pelos pares, pelos pais e também pelos poderes locais.
Defendia, também, que a contratação e avaliação de professores transitassem para os poderes locais.

Havia então um profundo desencontro entre o discurso de defesa da avaliação dos professores e a cultura das escolas. Nestas, as práticas de avaliação eram essencialmente dirigidas ao universo dos alunos.
Entretanto avançou a avaliação das escolas, mas a dos professores manteve-se como um tabu . E por isso a recusa do que se considera ser um modelo, parece ser uma recusa de qualquer dos seus elementos.


O fosso entre o discurso externo e a cultura das escolas em matéria de avaliação dos professores foi-se mantendo, e talvez daí o choque a que assistimos agora.

Ana Maria Bettencourt

17.11.08
 

Informação da CONFAP

Estatuto do Aluno


A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, esclareceu, através de um despacho, a aplicação do Estatuto do Aluno no que respeita às consequências das faltas justificadas, designadamente por doença ou outros motivos similares, depois de ouvida a CONFAP - Confederação Nacional das Associações de Pais. Reitera-se que o regime de faltas estabelecido no Estatuto visa sobretudo criar condições para que os alunos recuperem eventuais défices de aprendizagem decorrentes das ausências à escola nos casos justificados. Desta forma, a ministra determina que das faltas justificadas, designadamente por doença, não pode decorrer a aplicação de qualquer medida disciplinar correctiva ou sancionatória.
A prova de recuperação, a aplicar na sequência de faltas justificadas, tem como objectivo exclusivamente diagnosticar as necessidade de apoio, tendo em vista a recuperação de eventual défice das aprendizagens, o que faz com que não possa ter a natureza de um exame. Pelo contrário, deverá ter um formato e um procedimento simplificado, podendo ter a forma escrita ou oral, prática ou de entrevista.
Estipula-se ainda que da prova de recuperação realizada na sequência das três semanas de faltas justificadas não pode decorrer a retenção, exclusão ou qualquer outra penalização para o aluno, mas sim apenas medidas de apoio ao estudo e à recuperação das aprendizagens, sem prejuízo da restante avaliação.

16.11.08
 
Ciclo de encontros "O Poder do não Desapontamento".
CONVITE

No próximo dia 20 de Novembro, 5.ªfeira, inicia-se o ciclo de encontros denominados "O Poder do não Desapontamento".
No âmbito do Projecto Escola Criativa – Câmara Municipal de Cascais / Departamento de Educação e do Serviço Cultural e Educativo - Fundação D. Luís I, vai realizar – se um ciclo de três espaços de reflexão e discussão em torno de um projecto de acção-formação.
O Projecto Escola Criativa assume-se como ponto de partida para uma reflexão contextualizada. Um percurso que se coloca em discussão através de um processo que se pretende partilhado entre diferentes intervenientes e sob diferentes perspectivas.
Trata-se de um projecto de acção-formação, de intervenção local, dirigido a educadores, professores do 1º Ciclo e monitores, com um percurso desenvolvido ao longo de 8 anos no Centro Cultural de Cascais, em parceria com a Fundação D. Luís I e o Centro de Formação de Professores de Cascais.
Este ciclo pretende reflectir sobre a articulação entre Arte e Educação e evidenciar o papel da Criatividade no processo ensino-aprendizagem.
A organização de cada espaço propõe uma abordagem distinta que integra conceitos e práticas: Apresentação do Projecto Reflexão e Discussão de conceitos Partilha de experiências, tendo como denominador comum o projecto Escola Criativa.
No final deste ciclo será feito o lançamento da brochura – Projecto acção - formação Escola Criativa Um percurso em construção
De salientar a presença de Ana Mae Barbosa, a principal referência no Brasil para o ensino da Arte na escola, que em conjunto com os outros intervenientes permitirá:
- Uma procura de registos significativos
- "Olhar de novo" para a relação entre Arte e Educação
- Estabelecer uma relação de construção com a Mudança
Numa acção interna… O Poder do Não Desapontamento.

AGENDA
17h – Recepção
17h10 – Filme: "Vue Portraits"
- é um projecto em torno da visão e da memória visual, série de retratos de duração variável em composição de múltiplas projecções. Nestes retratos a imagem evocada pelo modelo sobrepõe-se à imagem do rosto. As "janelas" foram filmadas durante o encontro "Dançar o que é nosso" em Lisboa, com performers vindos de diversos países do mundo.
Luciana Fina
17h15 – Apresentação e Caracterização do Projecto
17h45 – Intervalo / Café
18h – Actividades / Monitorização / Impacto
18h30 – Comentário João Barroso
Debate

 

POR UMA CULTURA DE SUCESSO

A massificação da Educação em Portugal não foi capaz de promover uma Cultura de Sucesso.
(e, talvez, o problema resida nesta ideia instalada de massificação, que pretende olhar para todos da mesma forma, incapaz de ver as diferenças).
Pior: habituamo-nos a encarar este fenómeno do insucesso como “natural” separando o processo educativo em duas partes distintas: ao professor cabe o papel de ensinar, competindo ao aluno aprender.
A Escola, ao olhar desta forma para o problema, desresponsabiliza-se pelo sucesso dos seus alunos: realiza o seu trabalho com “empenho” e “profissionalismo” e lava daí as suas mãos. Do lado de lá ficam os alunos: os que trabalham e têm sucesso e aqueles que não trabalham e cujos pais não assumem o seu papel de responsáveis pela sua educação e sobre quem, com “justiça”, se abate a retenção.
E que preço “pagamos “, enquanto sociedade, por este insucesso que, anualmente, atinge milhares de alunos, de todos os níveis de escolaridade?
Financeiramente, são muitos milhões de Euros.
Mas os custos sociais não são menores. Uma sociedade em que muitos crescem com o estigma da sua incapacidade para aprender não pode aspirar a construir um país verdadeiramente democrático, capaz de gerar riqueza e promover condições de verdadeira justiça social.
Jovens condenados a trabalho desqualificado (até quando o século XXI vai permitir que este se mantenha?), carregando o peso de derrotas sucessivas, dificilmente se transformarão em cidadãos de pleno direito.
Será esta situação inevitável? Temos um tão elevado número de alunos incapazes de alcançar SUCESSO?
A esta ideia de Sucesso para todos, numerosas vozes se levantam, acenando com o monstro do FACILITISMO.
A esta acusação de facilitismo acrescenta-se o princípio moral da “justiça” – estes alunos devem ser “castigados” pela sua falta de trabalho!
Mas será que quando falamos de sucesso educativo queremos dizer: temos de os “passar” a todos, a qualquer preço?
• Não será necessário, para o País, que todos aprendam?
• Não terão, todos os nossos alunos, o direito a que sejam criadas condições organizativas nas Escolas capazes de promover o seu real sucesso?
Penso que é necessário repensar esta Escola, “construída” para uma elite que dela tinha necessidade para manter o seu estatuto social.
Uma escola que não dá espaço à iniciativa, à criatividade, à diferença.
Uma escola organizada para aqueles que, naturalmente, se “ajustam” ao “modelo”, ou têm famílias capazes de colmatar, directa ou indirectamente, nomeadamente com recurso a explicadores, as suas dificuldades.
Curioso observar que, frequentemente, se ouvem comentários nas nossas Escolas acerca de jovens com notáveis capacidades e que apresentam elevados níveis de absentismo e maus resultados escolares.
Proponho, então, que falemos de uma Cultura de Sucesso, assumida pelo conjunto da Sociedade, que confia à Escola a responsabilidade da sua promoção, mas a quem são garantidos os meios para a sua concretização.
É imperioso que o País assuma, de forma decidida e eficaz , a prioridade do SUCESSO EDUCATIVO, encarando-o como a norma.
E que nesta assunção se estabeleçam redes eficazes de intervenção - bem distintas das eventuais parcerias - com responsabilidades claramente definidas.
Cabe à Escola organizar-se para que todos aprendam, diferenciando aprendizagens, respeitando ritmos e culturas diferentes, apoiando os alunos com dificuldades, respondendo ao primeiro sinal de abandono ou insucesso.
Mas neste trabalho a Escola não pode continuar sozinha. Não podemos admitir que haja alunos que não têm óculos, quando deles necessitam; alunos que nos aparecem, constantemente, com a cara inchada e que vão “tratando” as infecções dentárias com uns Benurons; alunos com graves perturbações emocionais e para quem não existe o indispensável acompanhamento.
Considero, indispensável, que se instale, na nossa Sociedade, uma nova concepção em que o Sucesso Educativo seja inevitável, competindo às Escolas, no quadro da sua Autonomia, contratualizar, com o Ministério da Educação, as medidas necessárias para a sua promoção, mas, simultaneamente, assumindo a responsabilidade de o alcançar.
Provavelmente, muito rapidamente, transitaremos de uma economia de desperdício para uma gestão eficaz de recursos.


Maria Armandina Soares

 

Bons Professores

Um dia destes um professor dizia-me que quando tinha acabado o curso (de História) sonhava com salas de alunos que ouviriam com interesse as suas aulas. Tenho a certeza de que eu gostaria de assistir às aulas deste professor, competente e amante da sua disciplina.
Colocado numa escola de periferia, cedo se confrontou com falta de interesse dos alunos e um aproveitamento insatisfatório de uma grande parte. Não se conformou com a situação e foi mudando os métodos de trabalho e organizando as aulas, de modo a obrigar todos os alunos a estudarem e aprenderem mais. O que exigiu muito esforço da sua parte para a elaboração de uma organização diferente, diferenciada, e de um acompanhamento sistemático para os alunos ultrapassarem dificuldades, serem mais responsáveis e não desistirem .
Mais do que se preocupar com melhorar as notas, preocupa-se em garantir que os alunos aprendam. Não fica à espera que estes procurem apoio na família ( porque esta em geral não o pode/não sabe fazer).


Este bom professor, não o seria no entender de Vasco Pulido Valente. Na sua crónica de ontem no Público, revela mais uma vez que não faz a menor ideia do que é uma escola de hoje, (após a democratização do acesso ao ensino) e continua a defender o modelo de escola e o "bom professor" do passado, quando o ensino se dirigia a uma minoria interessada, sem dificuldades para aprender, porque os outros iam ficando pelo caminho. (Na véspera, na TVI, a ignorância que revelou em matéria de educação era confrangedora!)
Quando o professor, a que me referi aqui, se esforçou por "transmitir a paixão de aprender", uma grande parte dos seus alunos não aprendeu.....hoje contribui de forma activa para que os alunos aprendam efectivamente, desenvolvam hábitos e gosto pelo trabalho, e melhorem as notas.
Felizmente há muitos professores como este. Esta reconversão dos professores é muitas vezes difícil, mas é muito positiva para os professores e sobretudo para os alunos.
O bem-estar dos professores hoje, dimensão importante das escolas está inevitavelmente associado ao facto de os alunos aprenderem.
Ana Maria Bettencourt

14.11.08
 

O País do “NIM”?
“Facilitismo” ou “Exigência intolerável”?
O Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário (Lei 3/2008), estabelece, entre outras matérias, que:
• os alunos devem recuperar os saberes perdidos nas suas ausências, sejam elas justificadas ou injustificadas.
Não me parece haver nada de preocupante aqui: compete às escolas criar condições para que todos os alunos aprendam.
• as medidas a adoptar devem ser estabelecidas no Regulamento Interno de cada uma das escolas
Também aqui continuo tranquila: defendo a progressiva Autonomia das Escolas e o Regulamento Interno é um instrumento que há 8 anos cumpre esta missão – com base na legislação definir formas contextualizadas de intervenção.
No entanto este Estatuto do Aluno provocou enorme controvérsia na Assembleia da República e na Opinião pública, centrando-se a tónica no princípio do FACILITISMO.
Podemos ler, em “Salteadores da Arca” – 3 de Julho 2008:

A maioria socialista aprovou , com os votos contra de toda a oposição, o novo Estatuto do Aluno, que permite que os estudantes passem de ano sem frequentar as aulas, desde que sejam aprovados nas provas de recuperação, noticia a Lusa.
A proposta dos deputados do PS mantém a possibilidade de um aluno transitar de ano sem comparecer nas aulas, desde que obtenha aprovação na prova de recuperação, não sendo definido qualquer limite para o número de testes a que pode ser sujeito.
«Cuidado do PS em facilitar a vida aos alunos faltosos»
Para o PSD, que hoje propôs que um aluno fique automaticamente na situação de retenção ou exclusão caso volte a faltar injustificadamente depois de realizar a prova, esta medida defendida pela maioria transmite «uma mensagem muito negativa» aos estudantes.
«Há um grande cuidado do PS em facilitar a vida aos alunos faltosos, mas fica completamente esquecida qualquer mensagem aos alunos cumpridores, que agora não têm qualquer estímulo», acusou o deputado social-democrata Emídio Guerreiro.
A crítica foi partilhada pelas restantes bancadas da oposição, que acusam o Governo e a maioria parlamentar de «menosprezar o valor da assiduidade» e «mascarar as estatísticas» do abandono escolar.
«Agora o aluno vai poder faltar o que quiser e não pôr os pés nas aulas, desde que vá passando nas provas de recuperação a que for sendo sujeito, o que põe em causa o princípio fundamental da avaliação contínua», criticou igualmente João Oliveira, do PCP.

O mesmo princípio de “facilitismo” expresso pelo Arouca.Biz (13 de Nov 2007)
O que estão a fazer no sistema educativo é tão ridículo e despropositado que me faltam adjectivos para o qualificar mas talvez "facilitismo" e "balda" se adequem. Os professores são fortemente incentivados a um "laissez faire, laissez passer" porque toda a legislação saída nos últimos tempos encurrala-os de tal forma que vai levar quase inevitavelmente a este tipo de atitude para que o objectivo do governo se concretize, ou seja, boas taxas de "sucesso" escolar. Sucesso?!! criar ineptos? ignorantes? é essa a função da escola? Como se não bastasse ter que passar alunos a todo o transe e agora isto. (estatuto do aluno – 007 ordem para nada fazer, há 1 Ano)
Mas subitamente, tudo se baralha e contra o “facilitismo?” se insurgem os alunos: contra regime de faltas (5. Nov.2008)


Cerca de 1500 estudantes do Secundário manifestaram-se em Lisboa contra o regime de faltas estabelecido pelo Estatuto do Aluno. Estes estudantes querem entregar um conjunto de reivindicações ao Ministério da Educação.
(Lusa – Manifestação de estudantes em Lisboa contra o regime de faltas)

Temos assim, duas posições antagónicas: à ideia do facilitismo de que este Estatuto tem sido acusado, opõe-se, agora, a “revolta” dos estudantes contra as exigências de que, na sua opinião, estão a ser vítimas.

“Democracia” ou “Turbamulta”?
E como é que esta “revolta” juvenil se manifesta?
O movimento estudantil não pára de crescer. Têm ocorrido incidentes um pouco por todo o lado. Esta tarde, a luta dos estudantes contra a política educativa do Governo e, em particular, contra o Estatuto do Aluno, teve o seu epicentro na Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa. Os dois secretários de estado, Valter Lemos e Jorge Pedreira, foram mal recebidos pelos alunos que atiraram ovos e tomates contra os carros onde seguiam Valter Lemos e Jorge Pedreira e contra os carros onde seguiam Valter Lemos e Jorge Pedreira e contra as paredes da sala onde os dois governantes estavam reunidos com duas centenas de PCEs. (Luta Social, 13.11.2008)
Comentários do mesmo jaez vão surgindo. E o sorriso de professoras que, surpreendentemente, no meio dos jovens “em luta” e com as paredes da escola cheias de restos de ovos, afirmam que estes alunos são muito bem comportados.
Fico estupefacta. Será que tenho andado enganada sobre o significado de “Democracia”, “Formação Cívica” e, por que não?, “Respeito”?
Será que estamos preparados, nós, professores, para sermos os alvos seguintes de toda esta revolta juvenil?
Maria Armandina Soares

 

A Dra Manuela Ferreira Leite não presta um serviço ao país ao recusar o modelo de avaliação dos professores existente e defender a aplicação de um outro modelo, nos termos em que o tem feito.
Que modelo defende? O que recusa no modelo existente?
Esta posição é aliás muito generalizada nos outros partidos políticos, que em nada estão a contribuir para clarificar a situação. Incluindo o Partido Socialista, com a sua maioria silenciosa e algumas(poucas) vozes críticas.
O debate sereno e a pedagogia em torno das várias componentes do modelo em vigor, distinguindo o que é consequência do modelo ou da sua aplicação seria importante. Para sabermos se estamos a falar de correcção de um modelo existente, de luta política , de recusa da avaliação ....

Ana Maria Bettencourt

13.11.08
 
A escola e o mundo do trabalho
Vai realizar-se, em 12, 13 e 14 de Fevereiro de 2009, o XVII colóquio Afirse (Secção Portuguesa), subordinado ao tema: “a escola e o mundo do trabalho” (http://afirse.fpce.ul.pt/).

Esta realização tem o apoio da FPCE-UL, Unidade de I&D de Ciências da Educação, Educa e Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação e terá lugar nas instalações da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.

 



FACILITISMO

Rosa Soares Nunes

Facilitismo é, porventura, a palavra que, nos últimos tempos, tem sido o suporte significante do pensamento mais reaccionário. Mas no caso particular das apreciações dos exames escolares de 2008, um pouco mais do que isso: a perversidade (sustentada por um senso comum verdadeiramente mistificatório, já que toma ares de grandes esclarecimento), de causar grande indisposição uma prova de matemática que se mostrou menos selectiva, menos segregadora, apesar de inscrita nessa irracionalidade que é a classificação através de exame. E que, como tal, corre o risco de não ter posto em evidência a meia dúzia dos que serão os grandes cérebros que cuidarão da felicidade dos homens, apesar deles, dando oportunidade (apesar de tudo, sempre muito desigual, não tenhamos ilusões) aos que engrossarão a imensa coluna dos trabalhadores descartáveis, configurando o quadro das actuais necessidades do sistema capitalista. É que, não é de pouca monta o efeito “insucesso” nos processos afectivo-cognitivos que asseguram condições que favorecem as aprendizagens. E de como a injustiça social se transmuta em injustiça cognitiva, tão socialmente construída, também no confronto com resultados que melhor sustentam esta diferenciação desigual. Cada vez entendo melhor a analogia que Fritzel, invocando as teorias do Estado de C. Offe, faz entre as “notas” escolares e os salários … desiguais, estimulantes para os já por mil razões estimulados, desencorajadores para outros que, no horizonte, vêem o desenho de um caos de expectativas.
As condições contextuais (macroestruturais, ideológicas) de determinação do acesso ao conhecimento não são desligáveis das condições internas aos sujeitos/objectos de aprendizagem que também passam pela necessidade/interesse/curiosidade de conhecimento e não será o insucesso que a promove.
Vá lá que, apaziguados por resultados “menos bons do que o expectável” dos exames de Português, houve um respirar de alívio ….

11.11.08
 
Outono em Espoo-Finlândia

EMMA-Museu de Arte Moderna de Espoo- Finlândia


 
Outono em Helsínquia

 
Imagens da escola finlandesa

Informalidade,

Trabalho autónomo


Em grande parte das aulas visitadas os alunos trabalhavam de forma autónoma, em ambiente de grande informalidade.



AMB,MAS;MEBS






Apoios: é frequente existir mais do que um adulto por sala, sobretudo quando há crianças a necessitar de maior atenção.

Fotos AMB

10.11.08
 




Almoço na cantina com a organizadora da nossa estadia na Finlândia, Liisa Tommila, o director e dois alunos, membros do Parlamento da Escola que nos acompanharam em grande parte da visita.

 
Imagens da escola finlandesa




Escola- Casa




Cortinas Marimekko, a estilista finlandesa muito presente nas escolas.

As aulas são espaços de estudo, confortáveis, informais, em que se trabalha muito.





fotos AMB
Em meias

9.11.08
 
Imagens da escola finlandesa



Serenidade








Cantinas de escolas primárias

A serenidade e a calma sentiam-se também nas cantinas.
As preocupações educativas não têm intervalo durante o almoço.

Em várias cantinas visitadas por nós, existia um controlador de som. Quando passava a encarnado os alunos baixavam o ruído.


Os alunos eram, com frequência, acompanhados por um professor, que por esse facto tinha direito a refeição gratuita. Desde há sessenta anos que os alunos finlandeses têm direito a uma refeição quente, gratuita.
O almoço dura cerca de 30 minutos e a cantina nunca é frequentada por muitos alunos ao mesmo tempo.



Fotos AMB

AMB; MAS; MEBS




6.11.08
 
Alvar Aalto- Outono em Helsínquia
Foto: AMB

 
Imagens da escola finlandesa


A relevância dos computadores, presentes em todas as escolas e em quase todas as salas de aula .
E outras aprendizagens significativas para a vida: as madeiras, o tricot, a costura, a cozinha.

Longe de preconceitos,
Educação para a igualdade




Fotos:AMB















 
Imagens da escola finlandesa
Foto AMB

Numa classe de adaptação, os alunos de várias nacionalidades aprendem o finlandês, para poderem vir a integrar uma classe regular. São muito apoiados e respeitados nas suas diferenças culturais, mas a exigência relativamente ao domínio da língua finlandesa é grande. Na sala há duas professoras.

O piano ao fundo era uma nota muito frequente, nas aulas visitadas, sempre muito agradáveis.

AMB, MAS; MEBS


 
Imagens da escola finlandesa
Foto AMB
Trabalho autónomo numa aula de matemática
Os alunos trabalham ao seu ritmo, levantam-se de vez em quando para conferir os resultados e a professora tem tempo para ir apoiando todos os alunos, designadamente aqueles que encontram dificuldades, que assim vão superando os problemas que encontram. A organização adoptada faz com que cada aluno trabalhe muito e aprenda muito.
E que nenhum aluno fique para trás.

Segundo a OCDE- PISA, os alunos finlandeses têm os melhores resultados do mundo a matemática,
Os Finlandeses são tão orgulhosos dos resultados escolares e da sua escola!

AMB, MAS; MEBS

AMB

31.10.08
 

Diário da Finlândia - dia VI

Após uma descida ao rés-do-chão, provocada por um falso alarme no hotel, o nosso último diário da Finlândia.
Ao longo destes dias olhámos para esta realidade que tantas interrogações nos coloca.
É o momento de arrumarmos ideias e fazermos um primeiro balanço.

Uma cultura de valorização da Educação

Ao longo das muitas conversas que mantivemos com vários interlocutores tornou-se evidente que a Educação é uma prioridade nacional. Dizia-nos, ainda hoje, uma professora, que, para a generalidade dos pais é impensável que os seus filhos não tenham bons resultados escolares.
Esta prioridade atravessa os diferentes serviços, a começar no Ministério da Educação, Municípios, Escolas, Saúde, Serviços Sociais.
Todos eles se constituem numa malha apertada e convergente que torna praticamente impossível que os alunos não aprendam.
Reflexo deste trabalho é um grande orgulho nacional no progresso da educação e nos resultados dos alunos.

Condições de partida favoráveis à Aprendizagem

É visível a aposta na Escola primária de 6 anos, a funcionar em regime normal (um único turno) e com um número de alunos entre os 220 e pouco mais de 300.
Os espaços são amplos, diversificados e sempre preparados para o trabalho que os alunos devem realizar.
O número de adultos (professores e assistentes) permanentemente presentes em sala de aula assegura condições de aprendizagem para todos os alunos.

A autonomia ao serviço das Aprendizagens

Esta autonomia exerce-se, principalmente, em 3 domínios: Contratação de professores; Organização da escola; Gestão do orçamento


Os professores são contratados pela escola. Talvez neste facto, associado a uma formação inicial que os professores reputam “de qualidade”, resida a grande confiança manifestada pelos nossos interlocutores na sua preparação para de forma competente e empenhada realizarem o seu trabalho.

As escolas são organizadas em função das necessidades dos alunos. As opções são variadas:
maior número de alunos por sala tendo o professor a apoiá-lo um professor de educação especial e um ou mais assistentes;
um menor número de alunos por sala de aula; a constituição de 3 grupos de trabalho a partir de 2 turmas, nalgumas áreas disciplinares;
a opção por grupos de menor dimensão;
a integração de crianças com NEE permanentemente apoiadas na sala de aula ou trabalhando separadamente nalgumas áreas (Finlandês, Língua Estrangeira, Matemática…) e no grande grupo turma noutras disciplinas.
Organização de Planos de Recuperação para alunos que encontram dificuldades.

Não existe um fato pronto a usar. Parece sempre feito à medida…

Há a garantia do apoio aos alunos que encontram dificuldades.
A intervenção dos pais é extremamente relevante. Contactos presenciais, através do telefone ou e-mail servem para os informar acerca de dificuldades identificadas e concertação de esforços em busca de soluções.

A transparência do orçamento pareceu-nos ser o instrumento por excelência de autonomia.
Existem regras claras para o financiamento atribuído pelas autarquias às escolas em que existe o “bolo “ para pagamento dos professores e o orçamento para o seu funcionamento: material didáctico, manuais, material de desgaste, actividades culturais…
Este orçamento varia em função do nº de alunos, do nº de alunos imigrantes e com NEE

A autonomia obriga à implementação de sistemas de auto-avaliação das escolas.

Aqui não se pode fugir a aprender!
A aprendizagem é inevitável!
Ana Maria Bettencourt; Maria Armandina Soares; Maria Emília Brederode Santos

30.10.08
 

Diário da Finlândia - dia V



Na Finlândia nem tudo são rosas.

Hoje a nossa interlocutora principal aqui na Finlãndia transmitiu-nos algumas preocupações que se sentem na sociedade em geral e nas escolas finlandesas em particular depois do mais recente tiroteio numa escola.
Já anteriormente tínhamos constatado que de um modo geral os professores debateram com os alunos esta questão. Hoje conhecemos um director de uma escola primária - do 1º ao 6º ano de escolaridade – que no seu blog pessoal deu sugestões aos pais sobre o modo de falarem com os filhos sobre este assunto.
Visitámos, ainda, uma outra escola que viveu momentos difíceis, na sequência de uma ameaça. Estas situações foram sucedendo por todo o país.
Parece haver uma interrogação muito generalizada sobre razões possíveis para este fenómeno. Para além da resposta mais avançada na altura, a da abundância de armas neste país (porém a nossa interlocutora, antiga professora, directora de uma escola e política, afirmou-nos não conhecer ninguém que possua uma arma, admitindo também que talvez quem as tem não fale do assunto….) foram-nos referidas outras, tais como o facto de na sociedade existirem muitas situações que humilham as pessoas (como por exemplo os concursos televisivos em que as pessoas vão sendo sucessivamente expulsas), ou o entusiasmo desenvolvido em torno dos ídolos da televisão, ou ainda o individualismo exacerbado em detrimento de uma cultura de solidariedade.
O clima difícil, a falta de luz e de sol poderão, também, ter influência neste tipo de comportamento.
Esta preocupação contrasta, no entanto, com o ambiente distendido que temos encontrado nas escolas.

Uma escola primária na floresta

Em Espoo, fomos recebidos pelo director e por dois alunos, um rapaz e uma rapariga de 12 anos, que pertencem ao Parlamento da Escola, e que nos acompanharam ao longo de grande parte da nossa visita.
Neste órgão da escola, onde têm assento, por eleição dos seus pares, 2 alunos por turma (sempre um rapaz e uma rapariga), são tomadas decisões sobre algumas matérias que interessam os alunos, designadamente como utilizar um pequeno orçamento, a escolha da ementa uma vez por mês, ou o modo como gostariam de aprender.
Uma das questões levantadas pelos representantes dos alunos neste Parlamento foi o seu desagrado em relação aos «gritos» de alguns professores.

O perfil desta escola

Em comum com as outras escolas anteriormente visitadas, tem um número reduzido de alunos (em Espoo são 320, distribuídos por 15 turmas), a capacidade de promoção do sucesso para todos, utilizando estratégias e recursos diferenciados, a busca de soluções adequadas a cada um dos alunos.


Em Espoo, são várias as estratégias de integração na perspectiva de “não deixar nenhuma criança para trás”: existe uma classe de integração de crianças com problemas psicológicos, outra destinada à integração das crianças com NEE.
Mas, esta escola, a par destas soluções presentes nas outras visitadas, procura respostas mais inovadoras.
A “sala mais popular” que visitámos – e onde tivemos oportunidade de assistir a um pequeno concerto rock improvisado, dado por uma classe de alunos com problemas psicológicos – é espaço de prática das 20 bandas existentes, e também das aulas de educação musical.
Os projectos de teatro, onde todos os alunos são incentivados a participar, constituem um acontecimento anual na comunidade.
A preocupação com as novas tecnologias, incentivando todos os alunos a terem um e-mail e a colocarem as suas produções na internet são outra forma de inclusão.

Mas aqui desenvolve-se, também, um projecto de escola a tempo inteiro que procura cumprir dois objectivos:
A guarda das crianças, durante o tempo de ausência das famílias, também na Finlândia com horários de trabalho que dificultam o indispensável acompanhamento das crianças.
A valorização dos interesses e capacidades individuais, promovendo a ideia de que cada criança deve ter o seu »hobby».

Assim, existem nesta escola, fora do tempo lectivo, 20 clubes em que as crianças são incentivadas a inscrever-se
.
As provas de aferição cumprem umobjectivo essencial: permitem ao Município identificar as escolas com piores resultados e que necessitam de mais apoio.

O bem-estar dos professores, a sua motivação, é, também, um aspecto fundamental para o sucesso dos alunos, na opinião do director desta escola que nos disse:
Um dos aspectos mais importantes numa escola do século XXI é um professor não ter vergonha de não saber o que fazer com cada criança.
Ana Maria Bettencourt; Maria Armandina Soares, Maria Emília Brederode Santos